Trombetas

Lembro do amanhecer no rio, da primeira vez que cortei suas águas, ainda menina, cuidando da viagem de outros meninos como eu… que, aparentemente, nunca haviam navegado o Trombetas.

A diferença é que naquele dia tive certeza de que retornava. Revia. Revivia. Segura de que não só estive, como vim de lá. Certa de que nasci neste universo abundante de terras e águas pretas.

Desde então, a sensação é sempre a mesma. A de ser recebida pela família, a de chegar em casa, a de tornar a ser quem jamais deixei de cultivar. Como a resina da castanheira, vibrante, vermelha. Orgulhosa de brotar num tronco tão forte.

Protegida, sacudida. Por vislumbrar a luta do ponto de vista de quem sabe bem como é enfrentar. De quem ainda se culpa por hoje estar uma parte do lado de cá… [re]conhecendo a fundo que este não é o seu[meu] lugar.

Texto e fotos: Ana Gabriela Fontoura.

Este post tem 2 comentários

  1. Lindo texto! Quem te conhece sabe o quanto você se identifica e é parte dessas paisagens amazônidas.

    1. Muito obrigada, Vivi! Por ser a primeira pessoa a deixar um comentário aqui, pelo incentivo sempre, pelas palavras que acolhem e por sua amizade, que é um presente do tamanho do rio Amazonas na minha vida. Gratidão e saudade!

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