Nossos Nortes

Qual é o seu Norte?

O meu é floresta! É vastidão! É altura, copas de árvores quase tocando o céu. É água por todo o lado. Rios de encantaria. É umidade total. Daquelas de amortecer. Igual jambu na língua da gente.

Ah, claro! É comida com gosto de meu lugar. Origem. Cultura. Sabedoria. Tudo isso vem no prato. Que, bem verdade, é cuia. Pra aproveitar a melhor parte: o caldo. Quente! No calor de sentir. Seja na pele ou na alma. Que faz suar e brilhar. Feito pupunha.

É canto de muitas palmeiras. Açaí. Tucumã. Inajá. Bacaba. Patauá. Só pra começar. Muru-muru, com seus espinhos de proteção e vigília. Buriti [ou miriti aqui]. Esse sim me faz lembrar a ti.

Sertão! Outro Norte, onde me sinto em casa. Cuidada. Representada. Acolhida e amada. Um pilar de poesia e de bons ventos. Um chão firme de cantoria, parceria e partilha. Um recanto de bem receber. Não a qualquer um. Nem de qualquer jeito. Com o conhecimento de Irene, de quem é gente vivida. Nesta e em outras existências [muito mais antigas].

No vão. Na firmeza dos paredões. Na delicadeza das veredas. No olhar do mirante. No conforto de dentro do lar.  Que para adentrar, é preciso antes se aproximar. Do que é essencial no tal do nosso caminhar. Com um jeito manso e encabulado de chegar. Na calada da noite, quando é inevitável perguntar. [“quem está aí?”]

Quem são aqueles que nos visitam, que nos batem à porta e pedem licença de entrar? É importante refletir e observar. Como temos sorte ao encontrar um segundo lugar. Para pertencer. Para Nortear.

Texto e fotos: Ana Gabriela Fontoura.

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